terça-feira, janeiro 18, 2011
Francisco Lopes, o filho do po(l)vo comunista
O homem é do povo: chora, distribui panfletos, molda vidro e desbobina a cassete que o PCP gravou há décadas. Onde quer que vá, Francisco Lopes tem uma tarefa determinada: preservar o voto tradicional do PCP (ou CDU= PCP + PEV). Limita-se a cumprir um calendário eleitoral, corre os mesmos locais da família comunista, e tenta afugentar o fantasma de tantos candidatos da mesma área.
As campanhas do PCP seguem a mesma cartilha, desde que temos eleições livres em Portugal. Mais previsíveis que os indianos que vendem flores nos restaurantes e se aproximam das mesas com damas e cavalheiros.
Francisco Lopes, o candidato eleito, podia ser José Oliveira ou Manuel Ferreira, um qualquer membro do PCP, desde que constasse do Comité Central.
Aparenta ser um homem bom e solidário – o que é uma virtude incomum nos nossos dias –, mas o nevoeiro da ideologia comunista apaga toda a humanidade que o mais racional dos seres possa aportar.
O principal equívoco de “Chico” Lopes é atribuir a Cavaco Silva uma responsabilidade dos males de que incontestavelmente padecemos, quando, numa franca interpretação, sabemos que Cavaco optou pelo princípio da estabilidade – o que não o isenta de parte da factura. Clarifiquemos: tudo que está mal tem como autores todos - as elites, as massas, os partidos, a sociedade, os poderes, os subordinados, o Estado, a administração, as autarquias, as corporações. Até o PCP não pode furtar-se a tal julgamento democrático.
E hoje: estaríamos melhor se tivéssemos optado pelo Pacto Soviético? Basta comparar o que resta do modelo pela Europa Central, para vermos o atraso e a paragem no tempo.
Francisco Lopes pretende que todos aspirem “a uma vida melhor”. E, naturalmente, há dois caminhos: o democrático e o comunista. Alguém me convence que o PCP é, na sua praxis, um partido democrático e de homens livres? A liberdade é um conceito demasiado sério para ser trocada por uma visão foice e martelo.
Por isso, o projecto que Francisco Lopes promove é o das estátuas derrubadas, de ferro que a história fundiu, mas com muita escória siderúrgica ainda por aproveitar. Com tantas feridas. Pensarmos numa República dominada por camaradas de um Comité Central seria o golpe derradeiro num regime doente e, sobretudo, a negação, dupla, tripla, contínua e infindável, da História.
Pontuação final: 14 valores.
 
Lavrado por diesnox at terça-feira, janeiro 18, 2011 | Permalink |


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